terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
A CIDADE DO PENTEADO
Vamos lá a imaginar
a Cidade do Penteado
onde as casas para variar
têm cabelo e não telhado
Na Rua da Charamusca
a Cidade do Penteado
onde as casas para variar
têm cabelo e não telhado
Na Rua da Charamusca
mesmo junto do passeio
fica uma casa patusca
a casa do Risco ao Meio
No Largo Pinto Calçudo
mesmo em frente do mercado
há um prédio barrigudo
o Prédio do Risco ao Lado
No Beco Sarapintado
há uma casa escondidinha
com o telhado cortado
mesmo rente, à escovinha
Logo a seguir na travessa
do Jardim dos Girassois
há um prédio com a cabeça
cheiinha de caracois
Na Praça do Nabo Cozido
a casa das Três Chaminés
usa o cabelo tão comprido
que quase lhe chega aos pés
E na Avenida Maria
- coisa levada da breca -
a casa da minha tia
tem o telhado careca
Vamos lá a imaginar
a Cidade do Penteado
onde as casas para variar
têm cabelo e não telhado
Extraído do Livro "O Capitão Tão Balão"de José Barata Moura
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
Ninguém dá prendas ao Pai Natal
Conto de Natal
UMA VISITA INESPERADA
Foi na noite de Natal
Um anjo apareceu a uma família muito rica e falou assim para a dona da casa:
- Trago-te uma boa notícia: esta noite o Senhor Jesus irá visitar a tua casa.
Aquela senhora ficou entusiasmada. Jamais acreditara ser possível que esse milagre acontecesse em sua casa. Tratou de preparar um excelente jantar para receber Jesus!
Encomendou assados, conservas, saladas e vinhos importados.
De repente tocaram à campainha.
Era uma mulher com roupas miseráveis, com aspecto de quem já sofrera muito.
- Senhora - disse a pobre mulher - será que não tem algum serviço para mim? Tenho fome e tenho necessidade de trabalhar.
- Ora bolas! – retorquiu a dona da casa – Isto é hora de me vir incomodar? Volte outro dia. Agora estou atarefada com um jantar para uma visita importante.
A pobre mulher retirou-se.
Um pouco mais tarde, um homem, sujo de óleo, veio bater-lhe à porta.
- Senhora - disse ele com humildade – o meu camião avariou mesmo em frente à sua casa. Não teria a senhora, por acaso, um telefone para que eu pudesse comunicar com um mecânico?
A senhora, como estava ocupadíssima em limpar as pratas, a lavar os cristais e os pratos de porcelana, ficou muito irritada.
- Você pensa que a minha casa é o quê?! Vá procurar um telefone público. Onde já se viu incomodar as pessoas desta maneira?! Por favor, tenha cuidado para não sujar a entrada da minha casa com esses pés imundos!
E a anfitriã continuou a preparar o jantar: abriu latas de caviar, colocou o champanhe no frigorífico, escolheu, na adega, os melhores vinhos e preparou os coquetéis.
Nesse momento, alguém lá fora bate palmas.
«Será que agora é Jesus?» - pensou ela emocionada. E com o coração a bater acelerado, foi abrir a porta. Mas decepcionou-se: era um menino de rua, todo sujo e mal vestido…
- Senhora, estou com fome. Dê-me um pouco de comida.
- Com é que eu te vou dar comida se nós ainda não jantamos?! Volta amanhã, porque esta noite estou muito atarefada…não te posso dar atenção.
Finalmente, o jantar ficou pronto. Toda a família esperava, emocionada, o ilustre visitante. Entretanto, as horas iam passando e Jesus não aparecia.
Cansados de tanto esperar, começaram a tomar aqueles coquetéis especiais que, pouco a pouco, já começavam a fazer efeito naqueles estômagos vazios, até que o sono fez com que se esquecessem dos frangos, dos assados e de todas os pratos saborosos.
De madrugada, a senhora acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela um anjo.
- Será que um anjo é capaz de mentir?!- gritou ela – Eu preparei tudo esmeradamente, aguardei a noite inteira e Jesus não apareceu. Porque é que fizeste essa brincadeira comigo?
- Não fui eu que menti. Foi a senhora que não teve olhos para ver – explicou o anjo – Jesus esteve em sua casa três vezes: na pessoa da mulher pobre, na pessoa do motorista e na pessoa do menino faminto. Mas a senhora não foi capaz de reconhecê-lo e acolhê-lo em sua casa.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Feliz Natal
Um passarinho dormia
Com a cabeça debaixo da asa
E tremia
De frio
E dormia
Sobre um tronco de pinhal bravo
No chão do pinhal
Nem um pirilampo
Luzia
No céu uma estrela
Muda
Brilhante
Estremecia
Era Noite de Natal
Mas, nessa mesma noite,
Quem pergunta
A um passarinho
Se está bem
Se está mal?
Matilde Rosa Araújo
Segredos e Brinquedos
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